Autobiografia mira as estrelas, mas pode acabar em Londres

Quase ninguém com talento real de escrita escreve sua autobiografia. Isso é papel de ghost writers, que se fossem bons assinariam suas próprias obras em vez de escrever por supostas estrelas e empresários. Escritores que escrevem sobre si chamam isso de diários, como Piglia, Saramago ou Gombrowicz. Os críticos chamam de autoficção. Os melhores e mais sinceros contam verdades, com as boas técnicas da ficção. A verdade factual pura e

Albert Speer e Adolf Hitler em Paris.

simples é uma ilusão inalcançável pela percepção humana e além de toda imaginação.

Tem umas exceções entre os autobiógrafos. Unzinho pelo menos que contou sua própria história com talento, sem ser escritor. Albert Speer recontou sua vida de arquiteto e colaborador de Hitler com tamanha maestria que acabou livre e prestigiado como

testemunha e não como o algoz nazista que foi. Tinha usado seu gênio e talento de arquiteto para aperfeiçoar a logística e o sistema de transporte do Holocausto.

Pretendia demolir Paris, depois da vitória nazista, para reconstrui-la ao gosto do Führer. Morreu bem depois da guerra, de morte natural, no apartamento de sua amante em Londres.

Melhor que Speer se saiu Werner von Braun, que teve a decência de não falsear a própria história numa obra. Hollywood se encarregou disso por ele. Braun criou as bombas voadores V2 que atingiram Londres e, depois, o programa espacial norte-americano. Quando saiu sua cinebiografia roliudiana, “O homem que mirava as estrelas”, um humorista completou, “sim, mas acertava em Londres…”

 

Bomba V2 nazista em Londres.

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