Abril no Rio

Como um arco-íris da lua,

a felicidade, coisa esquiva,

nunca está onde se a procura.

Que a prove um pouco antes

da morte, mesmo que venha

oculta

numa flor sem perfume ou

num pássaro banal, mas

que me mostre por sua brecha

seu sorriso fugidio, seu

rosto fino de ébano ou coral.

 

Que venha, como o amor não veio,

como vieram a ternura pela simpleza

e a amizade, mesmo embebida

em coragem líquida e mudas bravatas.

Venha como este seu simulacro

que é andar em abril pelo Rio;

venha de perto e de longe,

venha logo ou no último instante

como final desejo de

seu derradeiro amante.

 

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