Gangues do Rio de Janeiro

Os nossos ultracapitalistas e superempreendores brasileiros de hoje são os traficantes e milicianos. São o tipo extremo do empresário capitalista selvagem. Não é nenhuma afirmação extraordinária ou facciosa, sequer esquerdista.
É só um pouco de história. Os barões ladrões (robber barons), os capitalistas absolutamente inescrupulosos, sem regulação legal e que dominavam a política pertenceram a uma fase do capitalismo norte-americano. Muitos têm nostalgia disso, mas foram as leis antitrust do começo do século passado e a regulação dos monopólios de comunicação dos anos 1930 que salvaram o capitalismo de lá de comer a si mesmo. Interessantemente, quando se propõe por estas terras ao sul alguma lei semelhante e mais branda, o que se escuta são gritos irados contra o comunismo e a favor da liberdade econômica. É mais ou menos o contrário. No caso da imprensa, nada mais autoritário, monopolista e semelhante a um “pravda” imposto, que ter todos os meios de comunicação nas mãos de poucas famílias e igrejas. É tão aterrador que até convencem que a manutenção do monopólio é em nome da liberdade!
Não está só nos livros de História, as práticas ultracapitalistas bizarras dos nossos milicianos se constatam no nosso dia a dia do Rio de Janeiro, sobretudo, e no discurso e doutrinação dos milicianistas ideológicos e políticos.
Ontem, me contaram que milicianos cortaram o abastecimento de gás encanado de uma comunidade carioca para poder vender botijões de gás sem concorrência e acima da tabela. Se você ainda é um iludido que acha que isso é uma exceção que fere o credo capitalista, abra o jornal e constate que o Trump está fazendo exatamente a mesma coisa contra uma empresa chinesa que venceu a batalha tecnológica pela próxima geração da Internet rápida. Os robber barons nunca toleram perder uma concorrência.
(O carioca que se der ao trabalho de ler The Gangs of New York: An Informal History of the Underworld do Herbert Asbury vai sentir vertigens com as similaridades com a situação do Rio de Janeiro. Em 1927, quando saiu o livro, já havia legislação e regulamentação e a cidade começava a se vender como exemplo de civilidade e ordem urbana. O final do livro trata disso. Nada a ver com o filme meia boca que fizeram depois).

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