Here they go again – Harold Pinter

Há alguns anos, a pedido de uma amiga, traduzi um poema do Harold Pinter (1930-2008). A tradução foi publicada num jornal literário e logo caiu em merecido e constrangido silêncio. Por pura teimosia, e diante da repetição das circunstâncias, tento aqui uma nova tradução do mesmo poema. Não sei se o Harold Pinter concordaria, acho que sim, mas onde se lê Yanks, leia-se a potência opressora da vez.

 

Here they go again

Here they go again,

The Yanks in their armoured parade

Chanting their ballads of joy

As they gallop across the big world

Praising America’s God.

The gu.tters are clogged with the dead

The ones who couldn’t join in

The others refusing to sing

The ones who are losing their voice

The ones who’ve forgotten the tune.

The riders have whips which cut.

Your head rolls onto the sand

Your head is a pool in the dirt

Your head is a stain in the dust

Your eyes have gone out and your nose

Sniffs only the pong of the dead

And all the dead air is alive

With the smell of America’s God.

The Guardian, 22 de janeiro de 2003

Lá vêm eles de novo

Lá vêm eles de novo,

os ianques em seu desfile blindado,

entoando canções de júbilo

ao galopar por este vasto mundo,

louvando o Deus americano.

As sarjetas entupiram-se de mortos,

os que não se agruparam a tempo,

os outros que renegam a ladainha,

os que estão perdendo suas vozes,

os que desafinaram a cantilena.

Os cavaleiros têm chicotes cortantes,

sua cabeça rola pela areia,

é agora uma poça na sujeira,

uma mancha apenas na poeira.

Foram-se os seus olhos e as narinas

somente cheiram a pilha de mortos.

E todo o ar morto se anima

Com o odor do Deus americano.

Tradução de Francisco Manhães

 

 

 

 

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