Poliana

Entre o pessimista e o otimista, o mais iludido é o realista, pois dos outros se sabe o viés e dá-se o devido desconto às suas opiniões. O realista mente para si mesmo e nem sabe disso, mas quer nos convencer de que sabe mais do que os outros.

O otimista é mais útil, melhora o ambiente, e em algum momento precisaremos contar com ele para pensar um futuro melhor viável. O pessimista, quando não cai no “eu te disse, eu te disse”, deve também ser levado em consideração, embora mantido numa prateleira alta, como remédio. Em um caso ou outro, otimismo e pessimismo têm suas funções medicinais ou diagnósticas. O que cura ou mata é a dose.

O realismo não serve para porra nenhuma.

Simpatizo mais com o otimista, por uma questão de convivência e coragem moral. Como dizia o Joelmir Betting, o pessimista no fundo é um covarde. Sempre pode dizer, depois de falhar em mais uma de suas profecias ruinosas, que as coisas deram certo (ou menos errado, dirá) porque ele avisou antes.
Na verdade, qualquer tipo de previsão é fé ou fraude. Não se pode prever nem a posição de uma partícula elementar no nanossegundo seguinte.
O Luis Fernando Veríssimo, partindo da pinimba entre Leibniz e Voltaire, fez a melhor anedota de otimismo e pessimismo. O otimista considera este o melhor dos mundos possíveis; o pessimista concorda”.
Notem que o realista não serve para nem mesmo para inspirar uma boa piada, quanto mais o Cândido, o otimista, de Voltaire.
(O realista é o cara que vota sempre no pior candidato porque prefere o desastre à ilusão. Os casos incuráveis votam em branco.)

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