Redação científica

O texto de um trabalho acadêmico é basicamente uma preparação para a defesa diante da banca. Mesmo não havendo uma defesa pública propriamente dita, mas apenas a leitura e avaliação por uma banca ou indivíduo, é importante lembrar que a monografia é um diálogo com os avaliadores.

Dicas de redação:

  • Anote todas as suas ideias sobre o tema e deixe para avaliá-las depois.
  • Tenha a coragem de escrever tudo que lhe pareça interessante sobre o tema na primeira versão do texto e, também, a coragem de podar tudo que ainda não funcione na última versão.
  • Ideias polêmicas necessitam de confirmação adicional e mais citações que as contextualizem ou autorizem que as ideias amplamente aceitas ou mais aceitáveis pelo senso comum.
  • Citar é bom, mas para confirmar suas ideias ou embasar a argumentação e não apenas para mostrar que leu determinados autores.
  • Citações seguidas de um mesmo autor sugerem subserviência e falta de interesse em desenvolver ideias próprias.
  • Alterne as citações diretas com o desenvolvimento ou comentário com suas próprias palavras daquilo que leu e interpretou.
  • Traduza as citações para o seu idioma ou as desenvolva com suas palavras, mas cite, também, no original as citações mais polêmicas ou aquelas muito complexas, sujeitas a interpretações diferentes da sua.
  • Os erros do original citado devem ser assinalados com a expressão latina “sic” entre parêntesis, se isto for relevante, mas não corrigidos. Por outro lado, deve-se fazer a atualização ortográfica quando viável.
  • Respeite as regras de argumentação. O texto monográfico deve convencer mais do que persuadir; portanto, deve avançar por meio de argumentos com começo, meio e fim; a quebra desta sequência caracteriza uma falácia ou sofisma – uma falsidade ou simulação da verdade –, o que é facilmente percebido por leitores experientes.
  • A linguagem científica deve ser tão sóbria quanto possível. Evite, por exemplo, o uso de pontuação expressiva, como exclamações ou interrogações retóricas, assim como o uso desnecessário de reticências.
  • Na mesma linha, prefira a linguagem denotativa, referencial e descritiva, em vez da linguagem conotativa ou figurada. O uso de figuras de linguagem, como as metáforas, hipérboles e ironias devem ser limitadas ao interesse da compreensão e apreciação do texto.
  • O texto científico deve ser objetivo e não subjetivo; em termos de pessoa gramatical, isto quer dizer que é preferível utilizar a primeira pessoa do plural “nós” ou as formas impessoais (“constata-se que”, por exemplo).
  • Siga rigorosamente as regras gramaticais. A maioria dos erros de ortografia é detectada facilmente pelo corretor ortográfico do editor de texto computador; erros de concordância, de colocação de pronomes, de uso da crase e de pontuação são particularmente negativos. Não abuse do uso de maiúsculas.
  • Deparando-se com nomes próprios estrangeiros, o que é inevitável na nossa área, utilize a grafia mais tradicional e comum em português brasileiro. Alguns nomes são traduzidos ou adaptados e outros não. Mais importante ainda é que haja coerência e bom-senso na escolha de uma forma dos nomes (por exemplo, a enciclopédia Koogan Houaiss adota a grafia à moda inglesa Tchekhov para o nome do escritor russo; outras grafias difundidas são Tchecov, Chejov e Chekhov), escolha a forma adotada por alguma obra de referência relevante. Isto também vale, é claro, para nomes de lugares, períodos históricos etc.
  • Se for estritamente necessário, defina os termos usados para garantir que sejam entendidos sem lugar a dúvidas.
  • Evite orações longas e o abuso de orações subordinadas.
  • Evite parágrafos com uma única frase. Um parágrafo deve conter uma ideia completa com começo, meio e fim. Como aconselhava o escritor Italo Calvino: “comece do começo, vá até o fim e aí, pare”.
  • Não se deixe paralisar por alguma dificuldade pontual, comece ou avance do ponto que lhe parecer mais fácil. Cartesianamente: do mais simples para o mais complexo, do mais fácil para o mais difícil.
  • Leia em voz alta o próprio texto e, sobretudo, peça a opinião de outros. A autoavaliação e a opinião alheia são indispensáveis para a evolução do trabalho.
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